
Alex Proyas é conhecido na indústria cinematográfica por ser um visionário e um homem apaixonado pela transposição para o cinema de apocalipses humanos e planetários. Nesta sua nova obra, a primeira após o algo desapontante “
I, Robot” – culpa talvez da pressão dos estúdios em fazer do filme o blockbuster que “
Dark City” ou “
The Crow”, por exemplo, não o eram -, o realizador natural do Egipto explora uma narrativa que envolve Nicolas Cage no papel de um professor astrofísico que tenta evitar que futuras calamidades de nível global aconteçam, à medida que interpreta e resolve combinações numéricas, descobertas numa cápsula enterrada durante décadas na escola do filho.
Inicialmente destinado a Richard Kelly, realizador de “
Donnie Darko”, “
Knowing” era uma fita que, apesar de estar sobre a pressão dos milhões, precisava de uma mão autoral que lhe concedesse a profundidade meta filosófica necessária para o filme não ser, como tem sido norma, mais um entre muitos – e logo numa altura em que “
2012” está prestes a chegar e que o remake de “
The Day the Earth Stood Still” não deixou a melhor das impressões no grande público. E sem deslumbrar ou convencer por absoluto, a verdade é que “
Sinais do Futuro” é uma obra severamente interessante, desenrolada numa atmosfera profética e misteriosa de excepção. Sempre a bom ritmo, Proyas leva o filme com sucesso para territórios perigosos – não é fácil tentar justificar filosofias como o determinismo ou o livre arbítrio – e, apesar das muitas lacunas a nível interpretativo e gráfico, constrói uma história fluida que frequenta lugares pouco comuns no género.
O final ambicioso, que fecha um ciclo que começara na conversa inicial entre pai e filho, será certamente o elo de ligação à fita que levará o espectador a adorar ou abominar o filme. O conceituado crítico de cinema norte-americano Roger Ebert, por exemplo, diz que “Knowing” é um dos melhores filmes de ficção científica que já viu. Outros, afirmam que não passa de uma mistura barata de “
Guerra dos Mundos”, “
E.T” e “
Encontros Imediatos de Terceiro Grau” – curiosamente, todos eles do mestre Steven Spielberg. Independentemente do julgamento feito por cada cinéfilo, a componente religiosa, científica e simbólica de “Sinais do Futuro” merece uma oportunidade prévia. E Proyas, magnânimo a criar terror onde ele nem sequer existe, a nossa confiança para futuras obras do género. Por fim, resta apenas destacar negativamente a campanha promocional do filme, que oferece nos variados vídeos de antecipação desenvolvimentos que deveriam, para a verdade do cinema enquanto arte, ficar ocultos.