Fargo
Inteligentemente mórbido e supostamente baseado numa história veridíca, Fargo é uma espécie de história "a le" Pulp Fiction, onde um vencedor de carros com problemas monetários (William H.Macy) contrata dois criminosos (Steve Buscemi e Peter Stormare) para estes raptarem a sua mulher e dividirem o dinheiro do resgate do sogro entre os 3.Fargo tenta ser uma comédia negra, mas séria. Na minha opinião não consegue ser as duas. Uma coisa é fazer uma comédia negra, outra fazer um filme sério. Para mim, existe sim um tipo de humor absurdo durante todo o filme. Mesmo baseado em acontecimentos reais, é dificil levar este filme a sério. Porquê? Porque não existem personagens substanciais, que nos toquem. Todos são puras caricaturas das vários tipos de figuras humanas que por aí existem.
É fácil admirar o que os Coen tentam fazer em Fargo, mas dificil gostar do filme. A ausência de limites nos acontecimentos dramáticos e nas personagens, fazem com que Fargo seja mais um exercício intelectual do que um filme marcante. Sim, eu sei que 95% dos que já viram o filme, consideram-no uma obra prima. Basta ver a sua média no IMDb.
Os Coen partilham o gosto por diálogos originais de Quentin Tarantino... mas não conseguem chegar nem por sombras ao nível deste. O que conseguem sim é uma brilhante fotografia, muito em torno do frio e da neve.
O filme acaba e nada mais ficou em mim que um sentimento vazio que estive a ver um filme completamente sem objectivo e sentido nenhum, que deixa praticamente tudo por explicar: O que acontece à pasta que foi enterrada com o dinheiro? O que acontece ao chinoca que aparece no filme? Para que é que ele sequer apareceu no filme?
Enfim, decidi fazer esta critíca porque todos consideram Fargo uma obra-prima. E eu não o percebo. Repito, percebo a sua intenção e acho um filme inteligente. Mas ter uma boa ideia não basta.